Starting from zero...

Com a casa alugada e colchoes, precisavamos apenas... do resto. De tudo. De tanta coisa que nem sabiamos por onde comecar. Nao dava pra sair comprando por questoes financeiras, de tempo e disposicao. Eu ja tinha feito uma listinha de " basicos" que no final nao segui muito, porque quando voce ve os valores, o que estah disponivel, prazos de entrega, etc, vc comeca a priorizar de forma diferente. Decidimos que iriamos comprar as coisas conforme a necessidade fosse aparecendo.

Ao mesmo tempo, nao queria sair comprando qualquer coisa - so as mais baratas, por exemplo, ou algo provisorio - e nao por frescura. Algumas coisas muito baratas tem uma duracao muito curta (tive experiencia disso qdo cheguei aqui, comprei uns temporarios que duraram muito, MUITO menos do que eu esperava)  e pensar no " ah, depois se estragar compramos outro" nao nos agradava. Pelo desperdicio de dinheiro e de material. Uma coisa usada por pouco tempo e depois "jogada fora" eh dinheiro gasto de qualquer forma, seja ele pouco ou muito. Sem contar o lixo que gera. E sentiamos que precisavamos respeitar esse dinheiro. Honrar a ajuda recebida de tantas pessoas, amigos e desconhecidos. Respeitar nao significava " gastar" e sair adquirindo luxos - nao tinhamos ganho na loteria, tinhamos na verdade perdido todos os nossos bens materiais - mas adquirir bens que nos servissem por mais tempo, com alguma qualidade. E que nos deixassem felizes, que gostassemos.

Mas... enquanto as pessoas nos diziam ' ah, que gostoso eh fazer shopping, eh como se voces tivessem casado de novo"... fazer shopping nessa situacao acabava sendo bastante cansativo. Ter que priorizar, decidir sob pressao com o receio de fazer escolhas erradas... eu ja sou do tipo que pesquisa muito antes de comprar algo onde a qualidade eh algo essencial - panelas e eletrodomesticos, por exemplo... imaginem ter que fazer isso por obrigacao. Not really fun.

Amigas ajudaram com dicas e sugestoes. Minha amiga Debora fotografou todos os itens de cozinha da casa dela =) e me mandou para eu fazer uma lista ' visual". Tivemos que fazer escolhas - trocar o faqueiro que eu amei por outro em funcao do valor, nao comprar as panelas favoritas em prol de outras que pareciam mais convenientes para o momento. Abrir mao de ter a batedeira igual a que eu amava, perdida no incendio. Mas ainda assim, nao tinha o menor direito de reclamar de nada. Estavamos bem, tinhamos carinho e amigos.

Num desses dias de shopping, cansados, chegamos em casa e havia uma caixa grande enderecada a nos na porta. Sem remetente. Abri, surpresa, e vi que era um jogo de panelas lindo. Nao conseguia identificar de quem tinhamos recebido esse presente. Achei um nome masculino que nao reconheci, com endereco. Nao sei como, cheguei a conclusao que poderia ser de uma conhecida minha, nao tao chegada. Confirmado: as panelas vieram da Carol Guedes (o nome na caixa era do marido dela). Eu estava speechless. Como assim, receber presentes?? Mais do que ja estavamos recebendo pelos fundraisers? Nao sabiamos se riamos ou choravamos de emocao. 

Entre tantas mensagens que eu recebia via email, whatsapp, facebook e sms, algumas pediam meu novo endereco. Uma dessas pessoas, quando pediu, eu tinha a CERTEZA de que seria para que ela me enviasse um cartao de boa sorte. Estava achando o maximo da delicadeza.

Eu nao a conheco pessoalmente, apenas via Facebook. Ela chama-se Olimpia Campos, brasileira, mora no Tenessee. Ha alguns anos quase nos conhecemos pessoalmente durante o Inspired em North Carolina, onde estive com a Sandra, mas ela teve um contratempo e nao pode ir.

Para minha surpresa, a Olimpia me mandou uma caixa enorme... ENORME... lotada de itens de scrapbook. Papeis, adesivos, tesouras, jogo de lapis aquarelaveis, canetinhas, aquarela, embelishments, albuns, flores, botoes, carimbos, carimbeiras, fitas tecidinhos, latinhas, necessaires, papeis artisticos... e um lindo cartao.

Como assim? Como alguem que eu quase nao conheco manda tantos, tantos materiais novissimos? O que explica esse desprendimento, essa gentileza, esse carinho?

Se isso nao eh amor, eu nao sei o que eh <3.

All we need is love

Eu ja comecava a sentir o cansaco e o baque. Minha vontade era tomar um banho quente, colocar um pijama bem macio, deitar encolhida na cama e dormir, acordando quando tudo estivesse resolvido. Mas nao havia tempo para descanso. Nossa prioridade era buscar um lugar novo para morar. Eu e meu marido iamos pra Edgewater atras de apartamentos, mas totalmente sem nocao de que, alem de nos,  mais 239 familias no minimo estavam fazendo o mesmo. Resultado: as ofertas na cidade estavam sumindo. E obviamente nao havia plantoes a nossa disposicao: para poder ver os apartamentos, tinhamos que estar acompanhados de um corretor, e para isso, deveriamos tentar agendamento previo. Tudo isso em meio a um frio literalmente congelante, com direito a carro preso na neve.

Os meninos comecaram a pedir para mudarmos para Leonia, uma cidade " conveniada" com Edgewater em relacao as escolas (ja que Edgewater nao possui Middle e High School proprias) e onde eles estudavam - mudar para qualquer outra cidade implicaria em mudar o Gabriel de escola, o que nao queriamos cogitar. Mas eu queria ficar em Edgewater pelo comercio (Trader Joe's, Whole Foods, Target, Mitswua, Anthropologie, mais de 16 salas de cinema...), facilidade de ir pra NY, e pq eu ainda estava convencida que moraria de novo num predio igual ao Avalon. Nao que la fosse perfeito, nao que la fosse ideal. Mas la era o que eu conhecia de " vida nos EUA". Eu me sentia segura. Os funcionarios nos conheciam pelo nome, era perto de tudo a pe, no verao tinhamos piscina, o correio (para eu despachar as encomendas da minha loja) era na frente... - enfim, eu gostava de Edgewater, e gostava muito do Avalon.

O carinho continuava em nossa direcao, atraves de palavras, abracos, lagrimas, e gestos de cuidado.

Presentes da Cris Vieira e da Paula Moreira

Da Analu...

E esse carinho virtual delicioso da Italia...

 

Com tudo agendado para vermos os imoveis na segunda, o anuncio de um snow blizzard adiou tudo. Como assim?? Justo agora ia nevar tanto?? Quanto tempo depois de acabar esse blizzard teriamos condicoes de sair para ver imoveis? Estavamos super bem alojados na casa dos nossos amigos, se eu estivesse num hotel 5 estrelas nao estaria mais confortavel ou melhor acolhida - carinho, amizade, amor que nao tem preco, sem contar os papos deliciosos e poder curtir o bebe deles... Mas obviamente nao queriamos ser uma preocupacao adicional e precisavamos seguir nossa vida.

Deus ouviu nossas preces, porque o blizzard nao aconteceu. E uma das corretoras com quem estavamos falando ligou para saber se queriamos sair e ver algums imoveis. E nesse dia mesmo, dez dias depois do incendio, achamos a casa onde iriamos morar. Uma casa, nao mais um apartamento em um condominio. Nao mais em Edgewater. Com essa vista da janela da cozinha:

Carla Cavellucci Landi

Passamos os dias seguintes limpando a casa, que por ser novinha, estava com muita poeira da pintura e do pos-obra nas paredes. Recebi visita da Sandra e da Luciana com presentes para a casa nova <3 Um jogo lindo de cha (com um cha super perfumado) e doces deliiiicia da Dulce de Leche, uma padaria argentina otima.

Carla Cavellucci Landi

Aproveitamos os descontos que uma loja de colchoes ofereceu para os moradores do Avalon e saimos para compra-los - pelo menos com eles em casa, poderiamos mudar.

No domingo, quando receberiamos os colchoes (sim, entregas aqui acontecem tambem aos domingos!) os meninos agendaram o habitual jogo de RPG no endereco novo. Um amigo deles trouxe dois bancos para que eles pudessem ter onde sentar. A mae desse amigo, minha querida amiga, e que tinha acabado de voltar do Japao onde morou por dois anos veio me visitar, e depois de conversarmos bastante, perguntou se eu queria uma TV. Disse que nao precisava - de novo, dificil aceitar doacoes!! - mas ela contou  que varios expatriados japoneses, ao retornarem para o Japao, deixavam tudo na casa dela, e com isso - e ela deu uma gargalhada - ela tinha 3 TVs sobrando em casa. Se era assim, entao, ok, aceitei. A TV chegou naquela noite mesmo, novinha, mesmo tamanho e modelo da TV que tinhamos perdido no incendio.

A casa tinha colchoes, dois bancos e uma TV =). Felizes de termos de novo um ponto de referencia, um endereco, um lar, mesmo que acampados. Felizes por termos tantos amigos carinhosos, no mundo todo. Felizes por termos sido acolhidos com tanto, tanto amor e atencao. Sair da casa da Paula e do Percy nao foi tao facil, afinal, estavamos entre queridos amigos. Nao temos nem palavras para agradecer. <3

Um dia antes eu tinha visto esse post no Instagram e tirei um print da tela. Nossa verdade:

The day after

A madrugada do dia 22 de janeiro foi sem sono, ouvindo sirenes e passeando pelo meu apartamento. Obviamente, so em pensamento. Mas nao um pensamento provocado. As imagens apareciam na minha cabeca mesmo que eu estivesse pensando em outra coisa.

Incrivel como eu via tudo nitidamente. Sabia onde estava cada objeto. Entrava nas gavetas, subia na estante de livros, olhava por tras dos sofas. Me sentia um fantasminha entrando no apartamento real.

Recebemos durante a madrugada a informacao que o predio todo havia sido destruido e estava inacessivel, e que o centro de recreacao de Edgewater estaria funcionando como um hub para informacoes aos moradores. Fomos eu e meu marido ate la no dia seguinte cedo para entender os proximos passos.

Antes, passamos na frente do predio. Ainda havia bombeiros jogando agua. Meu marido nao quis parar mas eu espichei meus olhos ate onde consegui, e deu pra notar que meu apartamento tinha, sim, sido atingido. Eu tinha uma leve esperancinha... mas ja era. Nao sei muito o que eu senti na hora. Hoje sei q estava em choque. Onde aparece o jato de agua, deveria ser meu apartamento.

Nesse video abaixo, da CBS, tambem vejo que do meu apartamento, nada restou. Das janelas a esquerda que sobraram quase intactas, brancas, o meu seria o segundo andar a direita delas. A janela caida eh a do quarto dos meus filhos.

Incrivel a organizacao no centro de recreacao: logo na entrada queriam saber se voce era residente do condominio ou voluntario. Os moradores eram dirigidos a uma sala, onde funcionarios do condominio marcavam seu nome, apartamento, quantas pessoas moravam la e se estavam todos bem. Em seguida, davam algumas orientacoes e seguiamos para o ginasio, onde todas as seguradoras estavam com mesas montadas, processando as " claims".

Enquanto eu estava na fila, resolvi checar o Facebook. E a primeira mensagem que vi foi da minha amiga Cris Vieira dizendo " O condomínio onde meus amigos moram foi destruído. Hora dos amigos entrarem em cena". Junto a essa mensagem, o link para um fundraiser criado por varias amigas em nome da minha familia.

Na hora que vi eu so abri a boca em choque. Em seguida, cai no choro, no meio do ginasio. Nao sabia o que pensar, nao sabia o que sentir - se me sentia envergonhada, pq de certa forma acabamos com nossas fragilidades e necessidades expostas. Nao sabia se achava incrivel, pq ate entao nao havia me dado conta que nao tinhamos mais nada alem do carro e da roupa do corpo e que precisariamos de mais recursos do que provavelmente tinhamos para recomecar. So sabia estar muito, muito, MUITO emocionada. Foi uma reacao sem esforco, o choro saia convulsivo. Que se repetiu qdo vi outro desses aberto no Brasil pela minha querida Selma.

Ainda em choque, continuava a receber muitas mensagens via SMS, whatsapp, Messenger, telefonemas, emails. Nao conseguia dar conta - sem falar nas mensagens deixadas em aberto na timeline do Facebook. Meio que sem pensar tambem, comecei a mandar mensagens gerais pelo Facebook, na tentativa de responder a todos e deixar as pessoas ao par do que estavamos passando, ja que todos queriam saber e entender.

E a cada vez que eu checava o Facebook, via repeticao da chamada para o fundraiser feito pelos nossos amigos. Uma atras da outra, acompanhadas de mensagens cheias de muito amor e carinho. Essas sao apenas algumas delas:

Naquela tarde tinhamos uns compromissos medicos agendados onde deveriamos apresentar passaportes e fornecer nosso endereco. E pra explicar a falta de documentos sem parecer dramatica? "Bom, estamos sem os documentos porque... voce ouviu falar do incendio de ontem em NJ? Pois eh, moravamos la. Ah, e nosso endereco temporario eh...". Eu falava isso como se fosse a coisa mais natural do mundo. Acho que ainda em choque, sem querer acreditar, de certa forma me desculpando por atrapalhar o andamento do processo de registro no consultorio, me desculpando por nao ter documentos nem um endereco meu para fornecer. As pessoas faziam cara de luto e diziam com a voz grave: "omg, so sorry for your loss". Eu agradecia, sem entender muito o porque de tanta comocao. Afinal, ninguem, gracas a Deus, havia se machucado. Mas hoje tenho consciencia que minha reacao era fruto ainda do estado de entorpecimento que eu me encontrava. Eu repetia a frase "eu perdi tudo num incendio" em silencio para mim mesma, varias vezes, e ela continuava a nao parecer real.

Na mesma tarde recebi um telefonema do Dean da faculdade onde meu filho mais velho estuda. Ele oferecia para o Lucas free housing (morar de graca na faculdade), ajuda para a compra de um novo computador e livros, assim o Lucas nao perderia aulas. Eu agradeci, comovida com o gesto, mas sem saber o que dizer mais. Dizer " thank you" nao parecia suficiente, nao representava a intensidade do que eu sentia.... Mais um movimento de generosidade em nossa direcao. Nossa amiga Luciana correu ao nosso encontro aquela tarde somente para nos fazer companhia, conversar e ouvir. Carinho, carinho, carinho. A Sandra criou uma conta nossa num site de busca de imoveis, e eu deveria receber alertas qdo aparecessem imoveis dentro das condicoes que precisavamos. Gestos que parecem simples, mas que tem uma importancia gigante.

O comercio da regiao de Edgewater tambem se mostrou muito solidario. O cinema ofereceu uma sessao gratuita, com refrigerante e pipoca (achei tao fofo...)  para cada morador; restaurantes ofereciam jantares e almocos gratuitos; lojas da regiao davam descontos para quem foi afetado; no centro de recreacao, um verdadeiro supermercado para os moradores do Avalon foi montado apenas com as doacoes.

Como tinha que fazer compras para o Lucas levar para o dorm do college, decidimos buscar alguns itens das doacoes, pois as mensagens enviadas aos moradores diziam " por favor, aceitem as doacoes que foram feitas para voces". Que situacao, que sentimento dificil eh o de aceitar doacoes!! Me sentia mal, praticamente pedindo desculpas aos voluntarios. Eles diziam " levem isso, levem aquilo, precisam disso?" e eu, encolhida, pegando os produtos com as pontas dos dedos, muito, muito sem graca. Nao me sentia no direito de aceitar nada, com tantas pessoas em tantos lugares com necessidades muito maiores que as nossas. Pessoas que verdadeiramente dependem de doacoes para sobreviver diariamente.

De repente, dois gift cards apareceram no meu sms. E da Michaels, a loja de itens para craft. Mensagem linda da Debora:

"Everything can be taken from a man but one thing: the last of the human freedoms—to choose one’s attitude in any given set of circumstances, to choose one’s own way.”― Viktor E. Frankl, Man's Search for Meaning -Love you 
Carla querida, Um presentinho para te ajudar a continuar a Prêt-à-Partay! Muito sucesso!! Beijo, Daniela

Outros gift cards, de amigas de escola (Valeria Ebide!) e pessoas que eu mal conhecia - uma delas, Karen, eu tambem so conhecia por intermedio de cerca de meia duzia de emails, pois tinha acabado de prestar uma assessoria para elas atraves de outras amigas.

A generosidade e desprendimento das pessoas estava sendo algo inacreditavel. Overwhelming. Chocante, de um jeito positivo.

A noite so pude escrever essa mensagem:

"Dear all
The apartment is gone. All our pictures, work tools and the almost 8 years of memories were there. But we know we have everything we need: our life, our health and YOUR immeasurable love.
"Thank you" is a very vague word to express this overwhelming and grateful feeling. I am crying all the time touched by your friendship and generosity in all manners: the offer for shelter,
 food, clothing, furniture, a word, a hug, your prayers, smiles, tears, money, calls, a helping hand in all the practical stuff. We are aware and touched by every one of them. 
I am trying to answer everyone but it's been really impossible. Over time, I'll answer every one of you.
The volunteers in Edgewater have been amazing answering questions we don't know we have; Avalon workers giving long and sincere hugs; counseling from Leonia High School personally calling each family; the Dean of Fordham called offering free temporary housing for Lucas and help with his books and everything so he won't miss his schedule. Help is coming from all parts of the world, including from people we don't even know.
I hope everybody who was affected is feeling at least 1% of this LOVE you are spreading faster than the fire. It would be enough to keep them going strong forever.
We love you
Queridos todos, o apartamento nao existe mais. As fotos, ferramentas de trabalho e nossos quase 8 anos ficaram la. Mas o mais importante nos temos: nossas vidas, saude e o imensuravel amor de todos voces.
"Obrigada" eh uma palavra vaga para expressar o sentimento arrebatador e agradecido q estamos sentindo. Chorei o dia todo emocionada com os gestos de amizade e generosidade que chegam de todas as formas: as ofertas de abrigo, alimentacao, roupas, moveis, uma palavra de conforto, um abraco, suas oracoes, sorrisos, lagrimas, dinheiro, telefonemas, auxilio nas questoes praticas, Estamos cientes de cada uma e imensamente agradecidos.
Estou tentando responder a todas as mensagens mas tem sido impossivel. Ao longo do tempo responderei a todas individualmente.
Os voluntarioa em Edgewater tem sido incriveis, respondendo as perguntas que nem sabemos que temos; os funcionarios do Avalon nos dao sinceros e demorados abracos; o orientador da High School estah telefonando para cada uma das familias; o diretor da Fordham ligou oferecendo residencia temporaria gratuita para o Lucas na faculdade e ajuda com livros e material para q ele nao perca dias de aula. Auxilio tem chegado de varias partes do mundo e ate de pessoas que nao sabemos quem sao.
Espero que todos que foram afetados estejam sentindo pelo menos 1% desse AMOR q estamos recebendo e que estah se espalhando mais rapido q o fogo. Ja seria suficiente para mante-los fortes e seguindo suas vidas pra sempre.
Amamos voces
"

Isso era tudo que sentiamos naquele momento: amor.

Na madrugada, sem sono, eu tentava recuperar imagens do predio via Google Maps.